"Ser acadêmico nem sempre é uma elevação entre montanhas. Mas ser acadêmico é sempre uma dignidade que enobrece, pelo que há de melhor no... "
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José Lins do Rego

Ano VIII, nº 30, jun./dez. 2020
Só os nomes dos acadêmicos são grafados em negrito.

UM ANO DE VÁRIAS PERDAS

2020 foi para todos um ano difícil e vazio de convivialidade, máxime para as academias que, já dizia nosso saudoso confrade Marcos Almir Madeira, são seu locus por excelência. É bem verdade que as lives de certa forma supriram esse vazio, mas, em muitos casos, de tal forma o fizeram que acabaram produzindo, ao invés de encontros virtuais, uma sobrecarga de compromissos que nem uma agenda normal de trabalhos comportaria.

Mas a suspensão de nossa agenda não importou em deixar vazias as cadeiras que, infelizmente, vagaram. Até porque a prometida imortalidade tem, na ininterrupta sucessão, sua melhor garantia. “Aqui estamos – bem poderíamos repetir com o escritor Geraldo Holanda Cavalcanti, ex-presidente da ABL – para demonstrar quão passageiro é o renome que ela nos possa dar. Ela, a Academia, é que perseverará, recolhendo a contribuição que cada um de nós lhe possa prestar na realização de seus cometimentos”.

Duas foram as vagas que se abriram no quadro titular – Afonso Arinos de Mello Franco (em 15 de março), notíciada na edição anterior deste informativo, e Harilda Larragoiti (em 29 de agosto) – e uma no extinto quadro de acadêmicos livres – Theophilo de Azeredo Santos (em 11 de outubro).

Harilda Larragoiti ocupou por quase dezessete anos a cadeira 33 da A.B.A. Jornalista, galerista e colecionadora de arte, colaborou no Correio da Manhã, de Brasília (1961). Mudando-se para o Rio de Janeiro, no início da década de setenta do século passado, manteve durante anos galeria de arte no Shopping Cassino Atlântico. Viúva de Gérard Larragoiti com ele formou belíssima coleção de arte contemporânea. Era membro da Associação de Amigos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e integrante do Conselho Administrativo da Sociedade dos Amigos do Jardim Botânico. Sua posse na A.B.A. em 21.09.1883, foi das mais concorridas, tendo sido recebida pela acadêmica Maria Beltrão. Dentre os presentes, os pintores Waltercio Caldas e Mario Agostinelli.

Theophilo de Azeredo Santos integrou o quadro de Acadêmicos Livres da A.B.A, para o qual foi eleito em 21.12.2000. Jurista, professor e empresário, bacharelou-se em Direito pela UFMG (1954), por onde se doutorou em 1959, tendo cursado como bolsista a Université de Paris I e sido livre docente da UFRJ (1965) e autor de vários livros jurídicos. Reitor da Universidade Estácio de Sá (2000-2006), ex-presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros, membro do Comitê Internacional de Arbitragem da Câmara Internacional de Comercio, com sede em Paris, da Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra e do CBMA - Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem. Foi também diretor do Banco Agrícola de Minas Gerais e do Instituto de Derecho Financiero del MERCOSUR. Agraciado, entre outros, com o Prêmio Teixeira de Freitas, do IAB (1982) e com a Ordem do Mérito da Republica Italiana (1985).

CONCEIÇÃO EVARISTO E CARLOS ALBERTO SERPA – OS GANHOS DE UM ANO PERDIDO

Maria da Conceição Evaristo de Brito e Carlos Alberto Serpa de Oliveira foram eleitos, respectivamente, em 12 de novembro e 16 de dezembro, para as cadeiras 29 e 33 de nosso Quadro Titular, ambos pela unanimidade dos votantes e com repercussão na imprensa e na mídia.

Romancista, contista e poeta, Conceição Evaristo formou-se em Letras pela UFRJ, obteve o mestrado em Literatura Brasileira pela PUC Rio, com a dissertação Literatura Negra: uma poética da nossa afro-brasilidade e o doutoramento pela UFF, com a tese Poemas Malungos – Cânticos Irmãos. Atualmente, é professora visitante da UFJF. É autora de artigos em antologias e revistas nacionais e estrangeiras, tendo por tema a afro-brasilid ade de suas raízes, de que se tornou um ícone. É autora dos romances Ponciá Vicêncio, Becos da Memória e Canção para ninar menino grande, do livro Poemas da recordação e outros movimentos e dos contos Insubmissas lágrimas de mulheres, Olhos d’água e Histórias de le ves enganos e parecenças, este último de contos e novela, dos quatro já lançados na França e EUA. Em 2015 foi finalista do prêmio Jabuti e, em 2019, agraciada com o título de Personalidade Literária do Ano do mesmo certame; em 2017, homenageada pelo Itaú Cultural com a exposição Ocupação Evaristo, em São Paulo, e, em 2018, contemplada com o Prêmio de Literatura do Governo de Minas Gerais pelo conjunto de obra.

Carlos Alberto Serpa formou-se em engenharia pela PUC-RJ, de que veio depois a ser professor associado. É presidente da Fundação Cesgranrio, fundador e presidente de seu Centro Cultural e diretor geral de sua Faculdade. Foi o criador do Prêmio de Teatro, da Orquestra Sinfônica e do Projeto Sapiens da referida fundação. É também fundador e diretor-Geral da Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, presidente da Academia Brasileira de Educação, chanceler da Ordem Soberana e Militar de Malta, membro, dentre outros, do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Educação e do Conselho de Desenvolvimento da PUC Rio, da Academia Brasileira de Ciências Econômicas e Sociais e da Academia Nacional de Engenharia. Foi reitor da Universidade Gama Filho, membro da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação e sócio e diretor da Memoires Antiguidades e da Galeria de Artes Poligraph. É detentor, dentre outros, do Prêmio Cidadania, concedido pelo jornal “A Folha Dirigida”; da Medalha João Ribeiro, da ABL, e da Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo MinC

 

ACADÊMICOS EM FOCO

Angelo Oswaldo de Araújo Santos foi eleito, pela 4ª vez, prefeito de Ouro Preto, MG. Dia 15 nov.

Anna Bella Geiger participa de coletiva intitulada “Sempre é de novo a primeira vez”, na Danielian Galeria, com curadoria de Marcus Lontra, de 14 dez.- 30 jan.

Divulgação

Cláudio Murilo Leal publicou, no site da Academia Carioca de Letras, nota biográfica sobre seu avô Leôncio Correia, a propósito da comemoração do Dia da Bandeira (19 nov.), de que aquele foi pioneiro como diretor de Instrução Pública do então Distrito Federal em 1907.

Dora Alcântara foi agraciada com o título de benemérita pela Associação Nacional de Pesquisa em Tecnologia e Ciências do Patrimônio – ANTECIPA. com Menção Especial, na área de Ensino, pela Federação Panamericana de Associações de Arquitetos (FPAA), por indicação da Direção Nacional do IAB, e pelo Simpósio Científico do ICOMOS - BRASIL, na sessão de encerramento do Simpósio Científico do ICOMOS – BRASIL deste ano.

Eduardo Sued participa de uma exposição coletiva na Galeria Multiplo, no Leblon. Dia 19 dez.

Reprodução: O Globo

Evandro Carneiro, apesar da pandemia, realizou, em sua galeria no Gávea Trade Center, as exposições de Manuel Messias (ago./set.), Francisco Coculilo (out./nov.), Tobias Marcier (nov./dez.) e Cláudio Valério Teixeira (dez./jan.).

Divulgação

Hildegard Angel homenageou Harilda Larragoiti (†) no site aloalobahia, da Rede Bahia, de Salvador. 2 set.

Reprodução: www.aloalobahia.com

João Cândido Portinari disponibilizou, pelo link https://vimeo.com/showcase/palestrasportinari, a palestra e os 26 lives que realizou pelo Projeto Portinari sobre a obra a vida e obra de seu pai (13 dez.).

Divulgação

Lauro Cavalcanti reabriu os espaços da Casa Roberto Marinho com a exposição “Livros e Arte”, alicerçada nas duas grandes paixões de seu patrono. De 3 out. 31 jan.

Reprodução: www.casarobertomarinho.org.br

Luiz Aquila e Eduardo Sued tiveram diversas telas apregoadas na primeira parte do leilão da Coleção Harilda Larragoiti organizado por Soraya Cals. Dias 8-9 dez.

Maria Helena de Andrade foi reeleita presidente da Associação do ex-Professores da Escola de Música da UFRJ e teve exibidos, em 18 out. e 13 dez, no site do Centro Cultural da Justiça Federal, os concertos em que se apresentou em homenagem a Villa-Lobos e Beethoven, no Rio e em Belém, em 5 mar. e 13 dez. respectivamente.

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Nélida Piñon foi capa e matéria da reportagem “Jornadas de uma imortal”, na revista Ela, de O Globo (4 out.).

Divulgação

Ricardo Cravo Albin foi entrevistado por Anselmo Góis, por seus 80 anos, em sua coluna em O Globo (19 dez).

Reprodução: O Globo.

Sergio Costa e Silva, à frente do Programa Música no Museu, enviou, por meio de nossas Embaixadas, durante esse tempo de pandemia, o catálogo ¨Música no Museu Internacional in concert¨ aos países de língua portuguesa e participou, de forma virtual, das comemorações dos 730 anos da Universidade de Coimbra e de concertos no Museu da Música, em Lisboa, assim como da Oficina de Cantoria + 60 enfrentando as doenças cognitivas através da música, da UFRGS.

Divulgação.

Sergio Fonta está comemorando os 10 anos de seu programa Tribo do Teatro, dedicados ao teatro e à sua história, no rádio, em newsletter a milhares de pessoas pela internet e no jornal Correio da Manhã / 2º Caderno, on line.

Ziraldo Alves Pinto foi homenageado, nos 92 anos da Obra do Berço, pela doação de uma parte de sua coleção de livros infantis (19 set.) e teve lembrados os 40 anos de edição de seu livro O Menino Maluquinho, em reportagem de Bolívar Torres, no 2º caderno de O Globo (10 out.).

 N.E. - Solicita-se aos Acadêmicos, que o desejem, o envio de notícias de suas atividades e premiações, no campo das artes, para a redação deste informativo.


 

MEMORABILIA XXIX 

Acervo A.B.A

O registro desta edição é o da posse do escritor Bernard Binlin Dadié (1916-2019), então ministro da Cultura da República da Costa do Marfim, em visita ao Brasil, no Quadro de Correspondentes da A.B.A.

O ato teve lugar no Salão Nobre do Museu Nacional de Belas Artes, tendo a sessão sido presidida pelo acadêmico Agenor Rodrigues Vale e o empossado saudado pelo acadêmico Henrique Paulo Bahiana, presentes o embaixador da Costa do Marfim no Brasil, Charles Gorvis, a adida cultural da referida embaixada, Narcise Kovadio, os acadêmicos Antonio Carlos Villaça, Antonio Garcia de Miranda Neto, Celita Vaccani, Durval Coutinho Lobo, Eduardo Chermont de Britto, Guilherme Schubert, Jonas Correia Filho, Marcos Almir Madeira e Segisnando Martins e um público de 125 pessoas.

DESTAQUE DO PERÍODO 

O ano encerra-se com a exposição “Avenida Paulista”, de Beatriz Milhazes, na sede do Itaú Cultural e no Museu de Arte de São Paulo, reunindo 170 obras da referida artista, com curadoria de Ivo Mesquita no primeiro e de Adriano Pedrosa e Amanda Carneiro no segundo.
No primeiro local, acham-se expostas colagens, gravuras e um minidocumentário sobre a artista e, no segundo, pinturas, esculturas e desenhos.
Em tempos de pandemia, a mostra ganhou visita guiada virtual, com duração de 25 minutos, através do site www.itaucultural.org.br/visita-virtual-exposição-beatriz-milhazes-avenida, onde podem ser vistas duas das três obras inéditas que nela figuram: “Havaí em amarelo vibrante” e “Giro horizontal” e foi tema da reportagem de Ricardo Ferreira, na edição de O Globo de 29 de dezembro.

Reprodução: O Globo.


 

  LOGOP

Academia Brasileira de Arte

Heloisa Aleixo Lustosa
Presidente 

Dalal Achcar 
Vice-presidente

Victorino Chermont de Miranda
Secretário Geral

Mário Mendonça
1º Secretário

Paulo Barragat
Tesoureiro

Victorino Chermont de Miranda
Editor do informativo

 
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